«Without music, life would be an error. The German imagines even God singing songs.»
Friedrich Nietzsche
Saturday, November 12, 2011
[New Album] oLUDO - Almirante
oLUDO são a prova de que, no Algarve, não existem apenas praias e ingleses a tocar guitarra. A cantar em português e com uma lírica cuidadosa assente na base duas guitarras, baixo, teclado e bateria, mas com uma sonoridade aberta a diferentes influências, estes algarvios apresentam «Almirante», um disco entre o rock e a pop. É um disco muito consistente, que revela alguma maturidade, pese embora seja o disco de estreia, e que demonstra uma nova tendência em Portugal: É possível fazer boa música pop cantada em português! Por apenas 10€ é possível entrar no mundo dos oLUDO e desfrutar de um conjunto de boas canções.
oLUDO - Fica, não te vás daqui (1º single do Álbum «Almirante»)
oLUDO - Vem Comigo Agora (novo single do Álbum «Almirante»)
Os músicos dos anos 80 ou 90 deverão olhar para o actual panorama da música e ter, todos os dias, pequenos pedaços de dor agarradas às entranhas. Não pelo facto de a música feita nos dias que correm ser má (a verdade é que todos os dias saem excelentes projectos), mas sim, pelo simples facto de nunca ter sido tão simples fazer música e, sobretudo, chegar às massas.
Ernest Green, o criador do projecto «Washed Out» é um exemplo acabado deste fenómeno. Nascido em 1983, em Perry, vila com menos de 10 mil habitantes, algures no estado americano da Georgia, desde cedo percebeu que fazer música (e especialmente chegar ao público) no século XXI está ao alcance de todos.
Em 2009, começou a produzir música fechado no seu quarto, situado na rural vila de Perry, um laptop e mais uma parafernália de tecnologia permitiram-lhe colocar no myspace algumas demos, que mereceram a atenção e os elogios de alguns influentes bloggers.
Depois de uma passagem em 2010 pelo festival de música da revista Pitchfork, em 2011 assinou pela incontornável Sub Pop.
Fazendo um Chillwave hipnotizante com influências que vão do Synthpop ao lo-fi, passando pelo Hip-Pop na forma de compor os temas, este «Within and Without» é um álbum fantástico. A que os Espanhóis chamariam de "pegadizo", que se cola de forma intensa, mas com enorme suavidade aos ouvidos de quem o escuta. Exige por si só, como que tendo vontade própria, repetidas audições: na esplanada em longas tardes de contemplação; no leitor de MP3 em longos banhos de Sol; ou sim, até mesmo em ambientes como aquele muito bem retratado na capa do mesmo...
Em 2011 as pistas de dança já não são um exclusivo da techno ou da house music. Em pleno século XXI, o universo indie já largou o medo de dançar como se não houvesse amanhã. E o álbum de estreia dos californianos «Foster The People» chega para tomar conta das pistas indie do mundo e para fazer furor nos Festivais de Música deste Verão.
Com um som caracterizado por melodias dançantes, com forte apelo de sintetizadores e uma voz penetrante, «Torches», é um dos melhores álbuns de indie pop de 2011 e vai certamente conquistar o Verão!
Em Fevereiro de 2008, Justin Vernon (Aka Bon Iver) emergiu da cabana onde esteve enclausurado a curar males de amor, e apresentou ao mundo um seminal álbum - «For Emma, Forever Ago» - merecedor de aclamação mundial. Álbum de letras fortes e de uma beleza cruel, colocando automaticamente Justin Vernon entre o songwriter clássico, melancólico, negativo e sofredor e o artista pop moderno, que não tem medo do experimentalismo, e de preencher a sua música com camadas cíclicas de efeitos sonoros.
Em Junho de 2011, Bon Iver apresenta o seu 2º álbum - «Bon Iver»
- e escolhe para imagem de capa, nada menos, nada mais, do que uma
cabana no meio de uma floresta. Mas, Emma, saiu da cabana e percorre
neste álbum diferentes locais nos Estados Unidos.
Este
álbum pode ser visto como fazendo parte de um livro de histórias de
encantar, segundo acto da vida de uma personagem nascida da escuridão,
isolamento e desespero absoluto. Em «Bon Iver», Emma, vai soltando as
amarras do desespero e vai vendo que existe um mundo para além da cabana
onde nasceu.
E neste «Bon Iver»,
a beleza de Emma resplandece à medida que Justin vai apresentado os
ambientes visuais, que, sendo agora muito mais cosmopolitas e
preenchidos (de 2008 até 2011, Justin até parceria com Kayne West
fez) são representados por inúmeras camadas sónicas sobrepostas e em
loop, mas nunca perdendo o foco da importância da invulgar voz de
Justin.
Para alguns, nunca haverá Emma como a primeira e convenhamos, depois de um álbum tão completo e absoluto como «For Emma, Forever Ago», a tarefa de Bon Iver não era nada fácil, mas os génios são isto mesmo, e «Bon Iver» pode não ser o melhor álbum da carreira de Justin (vamos ver o que o futuro nos reservará), mas será certamente um álbum de enorme beleza, riqueza sonora e, como tal, absolutamente obrigatório!
Chamamos a atenção para o facto de a crítica especializada estar a receber este álbum com enorme entusiasmo, merecendo 100 em 100 para revistas como a Mojo e Uncut e 9,5 em 10 na Pitchfork.
No espectro actual da produção musical, são poucos os momentos em que nos surpreendemos e em que percebemos que os limites da criatividade estão para lá das limitações impostas pelo mainstream. Volker Bertelmann é um pianista alemão especialista na arte do «prepared piano» (técnica também usada por exemplo por John Cage).
Basicamente, o piano preparado é aquilo a que os ortodoxos do piano
chamariam de aberração, enquanto que os espíritos livres e apreciadores
de arte chamariam de genial ideia. No fundo, é fazer de um tradicional
piano, uma verdadeira orquestra! Com recurso a diversos utensílios,
Hauschka é arte em estado puro!
A sua carreira tem sido extremamente diversificada, e o seu
novo álbum «Salon Des Amateurs» é uma surpreendente demonstração de que a
"música de dança" pode nascer de diversos mundos.
O genial Ennio Morricone tem vindo a inspirar, ao longo dos anos, muitos artistas novos. Danger Mouse, um dos mais interessantes e carismáticos músicos dos tempos modernos (vide «Grey Album» mescla entre Beatles e Jay-z e o seminal «Dark Night Of The Soul» com Sparklehorse), juntou-se com o reputado compositor e produtor italiano - Daniele Luppi - para criar «Rome».
Foram cinco anos a trabalhar em 15 canções inspiradas pelo Cinema Italiano dos anos 60/70 ("Spaghetti Westerns") e pela genialidade de Ennio Morricone. Mas, Danger Mouse, sabia que para que o projecto não fosse apenas mais um, álbum instrumental, e se pudesse tornar em objecto de culto e de referência mundial, era necessário juntar-lhe cantores de referência. Sempre sem medo da palavra Pop, Danger Mouse mescla com mestria as sonoridades clássicas com as melodias Pop.
Para tal, nada melhor do que ter dois convidados especiais: Norah Jones e Jack White! Canções como: «The Rose With a Broken Neck» com Jack White ou «Season's Tree» com Norah Jones, são momentos únicos e de enorme qualidade e bom gosto musical.
Em suma, um trabalho genial, obra prima e a banda sonora perfeita para longas noites...
Por vezes as melhores descobertas e as maiores e mais encantadoras surpresas surgem do nada. Quando menos se espera, somos tocados por um conjunto de sons que nos arrebata e que nos faz pensar: (pelo menos durante alguns momentos) isto é excelente! Momentos desses, mesmo para qualquer melómano que se preze, são invariavelmente raros e tão mais preciosos quanto seja a quantidade de novos sons que todos os dias vão sendo apresentados aos ouvidos do mesmo.
Os Seryn, pequena banda de Denton, no Texas são o motivo de tais palavras. O seu álbum de estreia «This Is Where We Are» é um dos melhores álbuns de estreia que o Eclectismo Musical já teve oportunidade de ouvir e, pelos relatos que chegam, têm tudo para se vir a tornar grandes, já que, foram quase unanimemente considerados pela crítica, como um dos melhores momentos do recente SXSW (South By Southwest).
Movendo-se entre os universos do folk e do indie pop, entre uns Fleet Foxes e uns Arcade Fire pré-Funeral, osSeryn apresentam uma excelente sonoridade capaz de nos transportar para a América profunda, ou para qualquer canto deste mundo onde exista: Paz, um por-do-sol, um lareira e um bom copo de vinho!
Uma particularidade interessante no som dos Seryn é o facto de, cada um dos cinco elementos da banda, quer seja, na composição dos temas, nas guitarras, no ukulele, no acordeão, no baixo, na viola, banjo, percussões ou na voz, assumir a mesma importância na banda e no encantador e cristalino som que produzem.
Se quiserem conhecer mais sobre os Seryn e sobre o álbum «This Is Where We Are» está disponível aqui, um podcast com comentários dos membros da banda, track-by-track!
Ainda que, «os mistérios da Internet» tenham antecipado o momento a partir do qual foi possível conhecer o novo álbum dosFleet Foxes, a verdade é que está, a partir de ontem, disponível nas lojas (físicas ou não) o tão aguardado «Helplessness Blues», segundo álbum de originais dos Fleet Foxes. (disponível para audição aqui!)
Três anos depois do fenómeno em que se transformou o álbum de estreia, considerado por muitas revistas da especialidade como o melhor álbum de 2008, os Fleet Foxes regressam com um álbum sobre a "luta entre quem és e quem gostarias de ser" e sobre como, apenas com 25 anos, Robin Pecknold gostaria de fazer uma obra prima.
Mas, «Helplessness Blues» apresenta aquele espaço incalculável entre os nossos desejos e aquilo que, efectivamente conseguimos, num determinado momento, realizar. Gravado ao longo de um ano, colheu
inspiração, segundo o vocalista Robin Pecknold, no som da guitarra de
12 cordas do cantor folk britânico Roy Harper e no "hipnotismo" do histórico «Astral Weeks» de Van Morrison.
E este é, depois do estrondoso e inesperado sucesso do álbum de estreia, um álbum em que Robin se vê perante o enorme desafio de fazer: melhor, de se superar e de dar ao mundo uma obra prima inigualável. Crescer não é simples e a perfeição não existe.
O que encanta neste álbum dos Fleet Foxes é a sensação, de que, pese embora, se tente alcançar a perfeição e ultrapassar as limitações naturais, Robin e companhia aceitam poderem não saber muito bem para onde vão e que caminho seguir, mas sem que isso retire mérito ou brilhantismo ao trabalho apresentado. O reconhecimento do sentimento de se poder andar um pouco perdido, mais não é, do que a imagem reflectida dos ouvintes.
A genialidade muitas vezes manifesta-se precisamente nas coisas mais simples, na desconstrução da complexidade latente e no encantamento provocado pelas emoções singelas, inocentes mas profundamente verdadeiras. Neste álbum, pese embora se verifique um reforço da complexidade sonora em alguns temas, continua a sobressair o doce encanto das vozes suaves e penetrantes de Robin.
Tal como o disco de estreia, este disco continua a vaguear pelo folk rock e pop psicadélico dos anos 60 e 70, tendo como referências comunicadas: Peter Paul & Mary, John Jacob Niles, Bob Dylan, The
Byrds, Neil Young, CSN, Judee Sill, Ennio Morricone, West Coast Pop Art
Experimental Band, The Zombies, SMiLE-era Brian Wilson, Roy Harper, Van
Morrison, John Fahey, Robbie Basho, The Trees Community, Duncan Browne,
the Electric Prunes, Trees, Pete Seeger, and Sagittarius.
Este é assim um álbum que provavelmente não causará o efeito surpresa do seu antecessor e, como tal, não alcançará o patamar de "a nova melhor música dos últimos quinze dias" tão apreciada por todos os que vivem da incessante procura de coisas novas. Mas, será sempre, o álbum de afirmação da capacidade dos Fleet Foxes em fazer grandes canções que ficarão sempre disponíveis para audições demoradas.
Vão estrear-se em Portugal no dia 8 de Julho no Palco Super Bock do Festival Optimus Alive!'11.
Na semana passada faleceu, aos 34 anos, Gerard Smith, baixista dos TV On The Radio não resistindo a um cancro no pulmão. O músico tinha adoecido pouco antes de terminado o novo álbum da banda: «Nine Types Of Light». Smith não conseguiu estar presente nos concertos de apresentação deste novo álbum que representa um incrível paradoxo de como a vida é. «Nine Types Of Light» apresenta uns TV On The Radio sem a «agressividade» sonora dos primeiros álbuns, mas com reforçada «agressividade» nas palavras e no retrato da sociedade americana dos nossos dias.
Este álbum vagueia em termos sonoros entre o soul, o funk, a electrónica e o indie rock, num ambiente «cool» por mais duras que sejam as palavras proferidas por Tunde Adebimpe. Juntamente com o lançamento do disco, os TV On The Radio lançaram também um filme de um hora com videoclips de cada uma das músicas do álbum, por entre palpites e ideas de diferentes pessoas sobre diferentes assuntos. A ideia foi a de, pegando no título do álbum, apresentar nove ópticas diferentes, com diversos caminhos de pensamento.
Os TV On The Radio conseguem neste seu novo trabalho demonstrar, com mestria, que, muitas vezes, a maior acídez e incisividade, não está na raiva com que se debitam decibéis e monstruosos riffs de guitarra, mas sim na força da palavra.
Em tempos de regresso do FMI a Portugal, a tristemente famosa corrente de opinião dominante, de que, em Portugal, só existem artistas medíocres e onde só sobra espaço para a falta (questionável) de bom gosto e de classe, vive dias de glória. No entanto, aqui no Eclectismo Musical sempre se acreditou, defendeu e divulgou o contrário! Na verdade, existem muitíssimos artistas portugueses com elevado potencial, sendo que, nem todos têm a sorte, a dedicação e as possibilidades de transformar esse potencial em algo de relevo.
Ora, Adriana, felizmente teve tudo isto e o seu segundo álbum «O Que Tinha de Ser» é do mais fino recorte artístico, configurando-se obrigatoriamente como um dos melhores álbuns de 2011.
Adriana, que é filha do grande divulgador do Jazz em Portugal - José Duarte - desde cedo conviveu com um gosto musical apurado e isso influenciou marcadamente o seu crescimento. Este «O Que Tinha de Ser» apresenta uma Adriana muitíssimo mais madura e segura do seu percurso criativo e artístico em relação a «Adriana», o seu álbum de estreia, gravado nos Estados Unidos em 2009.
Artista completa - compõe, escreve as letras, interpreta e ainda toca piano, guitarra e flauta, o seu instrumento de formação - deambulando por entre o Pop Jazz e a World Music.Cantando, pela primeira vez, músicas de outros autores e escolhendo ,como não podia deixar de ser, os grandes: «O Que Tinha de Ser» de Vinicius de Moraes e António Carlos Jobim e «Acércate Más» de Osvaldo Farrés.
Em 2002, estando em Paris, participa numa audição integrada na Berklee World Scholarship Tour, que tem como objectivo seleccionar, a nível mundial, novos talentos na área da música. Foi-lhe então atribuída uma bolsa para estudar na Berklee College Of Music, em Boston, onde se forma com distinção, em 2005, e onde, evolui significativamente enquanto cantora e «ser musical». Mais um enorme talento nacional a acompanhar!