Wednesday, November 23, 2011

[Entrevista] Rose Blanket

Provando que nem sempre um músico tem que ser um entertainer de massas, Rose Blanket, ou se preferirmos, Miguel Dias e os seus convidados, apresentam um dos melhores álbuns do ano (“Nothing Ahead / Nothing Behind”), um impensável (para os dias que correm), álbum duplo, sem que esteja previsto (por opção) qualquer concerto! Miguel tem um universo criativo muito próprio e, como o mesmo refere na conversa que manteve com o Eclectismo Musical: "A verdade é que o palco nunca foi um espaço confortável para mim, nada funciona, não existe prazer." Ora, sendo a música pura fruição, enquanto momento de criação, Rose Blanket é o exemplo perfeito de como esse exercício se pode estender a quem chegar a casa, ligar a lareira, encher um copo de vinho e deixar-se levar pela perfeição criativa de Miguel Dias para conhecer melhor aqui:

Eclectismo Musical (EM): Os Rose Blanket são o Miguel Dias, ou o Miguel Dias é o Rose Blanket? 

Rose Blanket: De facto Rose Blanket é um projecto marcadamente pessoal, isso é claro, mas não se resume a mim, até porque cada pessoa que colabora e participa em Rose Blanket é convidada a deixar algo de si. Poderei dizer que é um espaço onde tenho a oportunidade de me exprimir de uma forma livre e descomprometida e ainda de partilhá-lo com outras pessoas, músicos e não só. 

EM: Assumindo desde logo que o palco não é o local de eleição dos Rose Blanket (não estão previstos concertos de apresentação do novo álbum), esse é também um manifesto de que a música é apenas pura fruição enquanto momento de criação?

Rose Blanket: É verdade que o processo de criação e construção é o que me motiva nisto tudo. É nisso que eu retiro prazer. Tendo sempre em perspectiva partilhar o(s) resultado(s) final(ais), sem criar expectativas de retorno. 
 

EM: Atendendo à excelência de «Nothing Ahead/Nothing Behind», não será um pouco um exercício de egoísmo, não o dar a conhecer a mais pessoas, através da divulgação via concertos?


Rose Blanket: Gostava que não fosse assim entendido. Até porque não coloco qualquer limitação em chegar ao maior número de pessoas possível, sendo aliás esse um claro objectivo pós-criação.

A verdade é que o palco nunca foi um espaço confortável para mim, nada funciona, não existe prazer. Gostava que assim não fosse mas mais importante que isso é assumi-lo. E o facto é que à medida que se foi aproximando a altura de lançar o disco, cada vez era mais evidente que dentro de mim não havia genuinamente a vontade de o apresentar ao vivo. E haver concertos apenas porque é suposto fazê-lo, ou porque permitiria um retorno financeiro importante, não me pareceram motivações a ter em conta.


EM: Voltando ao prazer pelo prazer que a música parece representar, a opção pela edição de um álbum duplo, num momento em que se discute ao segundo o tempo que um disco deverá ter, é também um sinal de infinita indiferença pelos cânones do mercado?


Rose Blanket: Não diria indiferença, porque não seria verdade, mas reivindico a possibilidade de me exprimir livremente. Não estou totalmente alheio ao que se passa, tenho noção do absurdo que a edição de um disco duplo nos dias de hoje e para um projecto pouco conhecido, possa representar, mas foi esse o resultado de um período de 3 anos e não assumi-lo ou ajustar a edição ao que será mais expectável e convencional, seria isso sim uma grande mentira.  


















EM: O novo disco, na linha dos anteriores, apresenta um conjunto de inúmeras colaborações, com principal destaque para as vozes femininas. Como chegam até Rose Blanket, nomes como, Jennifer Charles, Dana Schechter, Petra Pais e principalmente Filipa Caetano?

Rose Blanket: Tinha um conjunto de temas que queria que a voz fosse feita por alguém com quem ainda não tivesse trabalhado e numa perspectiva de uma colaboração totalmente livre, sem qualquer interferência minha ou outro qualquer constrangimento. Foi neste contexto que surgiram as participações da Jennifer Charles e da Dana Schechter, em que obtive os contactos através de uma pessoa amiga e em que depois de enviar os temas, aceitaram sem qualquer problema.

Já a Petra Pais repete a colaboração iniciada em “Our Early Balloons”, o disco anterior, e quanto à Filipa Caetano, inicialmente apenas estava previsto ajudar-me a fazer umas demos das vozes que posteriormente serviriam de guia para uma outra pessoa gravar. Aconteceu que depois de gravar as primeiras demos, fiquei totalmente convencido que não precisava de outra voz. Embora tenha sido quase por acaso, a verdade é que sendo a Filipa a minha companheira e a pessoa que eu amo, acabou por fazer imenso sentido ser ela a voz principal deste disco.

EM: «Nothing Ahead/Nothing Behind» é um álbum duplo, também ele com uma duplicidade de emoções, por um lado apaguizador, perfeito para ouvir à lareira a contemplar a chuva lá fora, por outro lado, inquietante e desafiador na lírica. Foi este o processo de criação?


Rose Blanket: A palavra “duplicidade” que utilizas é muito apropriada para descrever tudo o que se passa à volta de Rose Blanket. É mesmo a palavra exacta para falar de Rose Blanket. E se sinto que essa duplicidade existe e está bem patente na música que faço, é porque certamente essa é uma fonte de criação, embora num processo absolutamente inconsciente.  

 


EM: A propósito, qual consideras ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?

Desculpa se dou um pouco a volta à questão, mas posso dizer que um outro aspecto positivo de andar nisto da música é que acabo por ligar à terra durante um tempo, e assim tomar conhecimento de muita coisa que se vai fazendo e não só em Portugal. É bem possível que se não tivesse editado este disco, não teria conhecido por exemplo PAUS, de quem ouvi recentemente um tema (com vídeo) que achei absolutamente brilhante.

EM: Nos tempos que correm, a Internet é uma ferramenta incontornável. Quais são os canais que utilizas de uma forma mais activa para comunicares com os teus fãs?

Rose Blanket: Rose Blanket tem um site www.roseblanket.net, onde aliás de momento é possível descarregar gratuitamente um conjunto de 7 temas que estão no disco.
Também existe www.myspace.com/roseblanket , criado por altura do disco anterior, mas pelo que tenho visto o myspace está morto e acabado.
E estou sempre disponível para dar a conhecer Rose Blanket através de entrevistas como esta.


EM: Que nomes colocavas no teu "Festival Ideal"? (Vivos ou não)


Rose Blanket: Entre os vivos ou bandas ainda em actividade, tive a sorte de já ter visto ao vivo aqueles que mais admiro, pelo que sendo possível recorrer à ressurreição, escolheria Velvet Underground, Beach Boys, The Beatles, Joy Division e Lhasa de Sela. 


Num Festival de 3 dias, em Belém, dividido entre o CCB, os Jardins de Belém e até o Mosteiro dos Jerónimos (para o concerto de Joy Division) e com uma pequena deslocação para o auditório Alfredo Keil no Monsanto para o concerto final dos Beach Boys.


EM:Se tivesses que identificar os 5 melhores álbuns de sempre, qual era a tua escolha? E porquê?


Rose Blanket: Não sei se serão propriamente os melhores, não pensei sobre isso, mas são aqueles que terei ouvido mais, que não há melhor indicador do que esse.


Nick Cave – Boatman´s Call

Sonic Youth – Daydream Nation

Pixies – Doolittle

Jesus & Mary Chain – Psychocandy

Velvet Underground & Nico


E acrescento uma descoberta recente, o absolutamente maravilhoso Pet Sounds dos Beach Boys.


EM: Quais são os teus planos para os próximos meses? Por onde andarás?


Rose Blanket: Vou andar muito por casa certamente. Sempre com a minha guitarra ao meu lado. E já a pensar num próximo trabalho, agora um pouco mais difícil de concretizar, pois a opção de não realizar concertos saiu bem cara.

Agradecimento Let's Start a Fire

Promo EP: Download Aqui!

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar

Thursday, October 20, 2011

[Entrevista] Old Jerusalem

Entre a análise de riscos financeiros e o folk, Francisco Silva vai construindo a sua sólida carreira musical através do seu alterego Old Jerusalem. Com dez anos de carreira e cinco álbuns editados, este singer-songwriter português com nome de música do mestre Will Oldham (Bonnie 'Prince' Billy) continua a caminhar por ambientes calmos, enternecedores e de uma pureza apaziguadora. Um eterno prossecutor do bom gosto, Francisco Silva regressa às origens mais puras e apresenta composições fortes, onde o lirismo e o cuidado com as palavras sobressai como linha mestra, sempre devidamente acompanhado pelo doce dedilhar da sua guitarra acústica.
Recentemente, Francisco Silva editou o seu quinto disco de originais enquanto Old Jerusalem e o Eclectismo Musical esteve à conversa com o músico para o ficarmos a conhecer um pouco melhor.



Eclectismo Musical: Dez anos depois da estreia do projecto, chegar ao álbum homónimo é como que um regressar às origens?
Old Jerusalem: Só numa perspectiva “simbólica”, o álbum que fizemos é, na minha perspectiva, suficientemente distinto das origens do projecto para ser um passo em direcção ao futuro, não um olhar sobre o passado.

EM: Em jeito humorístico, enquanto analista de riscos financeiros, a TROIKA teve alguma influência no resultado final do teu novo álbum, ou o alterego tem suficiente independência para não se deixar influenciar?
Old Jerusalem: A troika não influenciou o conteúdo do disco, não, até porque o essencial do álbum foi registado antes da sua vinda. :)




EM: «Old Jerusalem» (editado no dia 19 de Setembro) entrará directamente para a prateleira do folk de câmara (Will Oldham a flutuar suavemente nas entrelinhas), num estilo de composição introspectivo e, digamos, clássico. Ainda que com uma narrativa, por vezes, alegórica, este é um “álbum-conceito”?

Old Jerusalem: Não, não há nenhum elemento comum subjacente a este conjunto de canções que permita vê-lo como um álbum conceptual, sob qualquer perspectiva.

EM: O tipo de música do projecto «Old Jerusalem» é algo sem grande tradição em Portugal, nomeadamente cantada em inglês. Mas, ao contrário de outros projectos portugueses recentes do âmbito indie/singer-songwriter, não chegam relatos da internacionalização (ainda que parcial) do teu alterego. A carreira internacional não é algo em que penses?
Old Jerusalem: Sim, foi um objectivo desde o início e continua a sê-lo. Não temos conseguido resultados concretos sustentáveis, mas continuamos com as “investidas”. Este disco, p. Ex., terá distribuição na Alemanha a partir de Novembro 2011 e estamos a desenvolver trabalho de promoção local. Os resultados, como sempre, são incertos, mas vamos insistindo no assunto.




EM: A propósito, qual consideras ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?
Old Jerusalem: Em termos criativos continuam a surgir várias bandas, promotoras e editoras que vão mantendo actividade regular e angariando seguidores, pelo que se sente alguma vitalidade. Em termos de negócio, como em praticamente todo o lado, as perspectivas não são as mais interessantes.

EM: Nos tempos que correm, a Internet é uma ferramenta incontornável. Quais são os canais que utilizas de uma forma mais activa para comunicares com os teus fãs?


Old Jerusalem: Sou pouco dado ao desenvolvimento de uma existência “online” J, mas mantemos uma página de facebook dedicada a Old Jerusalem, lançamos recentemente o site www.oldjerusalem.net , que esperamos vir a desenvolver ao longo do tempo e há sempre informação disponível sobre o projecto na página da PAD (www.pad-online.com).





EM: Que nomes colocavas no teu "Festival Ideal"? (Vivos ou não)

Old Jerusalem: Aquelas bandas que neste momento gostaria de ver. Hoje seriam, p.ex., Feist, Grand Salvo, Talons’, The Besnard Lakes, Josh T Pearson, entre outros.

EM: Se tivesses que identificar os 5 melhores álbuns de sempre, qual era a tua escolha? E porquê?

Old Jerusalem: É uma pergunta demasiado difícil. Um disco clássico deve conjugar excelente escrita, excelente interpretação, excelente som e preferencialmente (mas é facultativo) uma dose de originalidade, além de um qualquer carisma que os torna únicos mas que ninguém sabe de onde vem.

Alguns dos discos que considero estarem próximos desse ideal são:

“I see a darkness” de Bonnie ‘Prince’ Billy




“Blue” da Joni Mitchell


“Caught in a trap and I can’t back out
‘cause I love you too much, baby” do Mark Eitzel




“The boatman’s call” do Nick Cave & The Bad Seeds


“Sign o’ the times” do Prince

E:
“Pirates” da Rickie Lee Jones, “Disintegration” dos The Cure
“Now I got  worry” dos The Jon Spencer Blues Explosion
“Swordfishtrombones” do Tom Waits
“Townes van Zandt” do Townes van Zandt
"Pre-millenium tension” do Tricky
“Achtung baby” dos U2
“Veedon fleece” do Van Morrison
“Violent Femmes” dos Violent Femmes
“And then nothing turned itself inside out” dos Yo La Tengo
“The privilege of making the wrong choice” dos Zen…

A lista continua, é pessoal e varia com o tempo, é um exercício um bocadinho infrutífero escolher 5. J


EM: Quais são os teus planos para os próximos meses? Por onde andarás?

Old Jerusalem: Vamos promover o disco ao vivo, com concertos um pouco por todo o lado e continuando com a vida quotidiana, claro.

Agradecimento Especial Let's Start a Fire

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar

Wednesday, September 07, 2011

[Entrevista] You Can't Win, Charlie Brown

São uma das mais promissoras e estimulantes bandas portuguesas dos últimos tempos. A banda lisboeta editou em Maio deste ano, um dos discos de estreia mais elogiados da crítica especializada nacional e internacional. Os You Can't Win, Charlie Brown (YCWCB) são seis jovens músicos portugueses que cresceram com um conjunto de diferentes influências, e que souberam criar uma interessante mescla de sonoridades, onde a melancolia dos temas impera, mas em que, simultaneamente, a profusão de sons remete, por vezes, para ambientes luminosos, hipnóticos e cheios de esperança.

Com festa de lançamento em Lisboa de «Chromatic», marcada para o próximo dia 15 de Setembro no Lux, o Eclectismo Musical esteve recentemente à conversa com os YCWCB e podemos ficar agora a conhecer melhor um dos mais interessantes projectos musicais a surgir nos últimos tempos em Portugal.



Eclectismo Musical (EM): Bem, a inevitável primeira pergunta: Como nasceram os «You Can’t Win, Charlie Brown»?

YCWCB: O grupo nasceu numa altura em que o Luís, o Afonso e o Salvador andavam a compor músicas, cada um do seu lado. Começámos a falar uns com os outros para tocar nos temas de cada um e rapidamente percebemos que o que fazia mais sentido era mesmo ter uma banda em que todos participassem, em vez de ter 3 projectos diferentes. Logo a seguir, convidámos o David, que aceitou juntar-se a nós. Foi assim que nasceram os “You Can’t Win, Charlie Brown”. Mais á frente entraram o Tomás e o João, já depois do primeiro EP.

EM: A banda são o Afonso e o Salvador que recebe convidados, sendo um “colectivo” variável e sempre aberto a entradas e saídas, ou podemos considerar que são uma banda de seis elementos?

YCWCB: A dada altura foi essa a nossa ideia, até porque permitia que o Luís e o David estivessem mais à vontade com outros projectos e com a vida pessoal. Mas passado algum tempo percebemos que assim não ia funcionar e que precisávamos de estar todos a fundo na banda. Isso aplica-se às seis pessoas que formam o grupo agora. Esses seis são os “You Can’t Win, Charlie Brown”.




EM: Como é o vosso processo de criação? Em jeito de humor, a guitarra de três cordas é o vosso maior segredo?

YCWCB: Os nossos temas vêm quase sempre de uma pessoa apenas, na sua base, depois são desenvolvidos por todos. Esse processo é muitas vezes feito por email, já que é difícil estarmos os seis a ensaiar com muita regularidade. Se alguém tiver uma ideia, grava e manda para os outros, e vão-se construindo alguns arranjos assim.
Quanto à guitarra de três cordas, não é bem um segredo, é mais um acaso feliz. Um dia o Salvador queria compor e só tinha uma guitarra com 3 cordas, porque o irmão mais novo tinha-lhe partido as outras 3.


EM: Lançaram, no final de Maio, o vosso primeiro álbum: «Chromatic» que tem vindo a ser muitíssimo bem recebido por toda a crítica. Alguma explicação complexa para o título escolhido ou foi um mero acaso, tal como a escolha do nome da banda?


YCWCB: Não é um acaso nem tem direito a uma explicação muito complexa.
Foi logo uma das primeiras ideias a surgir. Sabíamos que queríamos um nome curto e forte, e “Chromatic” não só encaixa nesses padrões como define bem o que se passa no disco e tem uma componente visual muito forte, o que também nos atraiu muito e ficou bem representado na capa.




EM: O álbum abre com o fortíssimo single “Over The Sun / Under The Water”. Pode-se dizer que este tema define o som dos «You Can’t Win, Charlie Brown»?

YCWCB: Dizer que a “Over The Sun / Under The Water” define o nosso som é capaz de ser um bocadinho demais, mas é verdade que é provavelmente o tema que mostra melhor o que acontece no “Chromatic”. Tem o lado acústico e o lado mais electrónico, os coros, etc... por aí sim.






EM: Depois dos elogios vindos da influente revista francesa “Les Inrockuptibles”; das excelentes reviews aos concertos dados em terras de sua majestade e também de algum hype que se vai criando no Brasil através de alguns influentes bloggers, já estão convencidos que irão ter forçosamente uma maior repercussão no estrangeiro do que em Portugal? A carreira internacional é o vosso caminho?

YCWCB: Não sentimos que a nossa carreira vai ter que ser feita lá fora, mas se tivermos a oportunidade de explorar isso mais a fundo vamos fazê-lo, mas ainda é muito cedo para percebermos até onde é que isso pode chegar.


















EM: A propósito, qual consideram ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?


YCWCB: Está muito interessante. Há muita gente a fazer boa música nos mais variados estilos e essa diversidade é uma das mais-valias actuais da música Portuguesa. Paralelamente, também parece haver cada vez mais público interessado na música nacional e a aparecer nos concertos, ao contrário do que acontecia há uma década atrás.


EM: Ainda que baste uma ou duas audições do álbum, para perceber que, pese embora a melancolia, os doze temas de «Chromatic» são sobretudo algo que vos deu imenso gozo a fazer e que está longe de ser apenas um disco de estreia, uma vez que a maturidade da construção lírica é uma constante, têm algum receio que internacionalmente o vosso som seja colado em demasia aos Grizzly Bear, Fleet Foxes ou aos Animal Collective e que isso possa limitar o vosso crescimento enquanto banda? Ou pelo contrário isso poderá ter um efeito positivo de identificação?


YCWCB: As comparações existem sempre e nem vale a pena tentar contrariar isso. Não é por nos compararem a esses grupos que o nosso crescimento enquanto banda fica limitado. A única coisa que pode limitar o nosso crescimento somos nós... e não é para já.






EM: Nos tempos que correm, a Internet é uma ferramenta incontornável. Quais são os canais que utilizam de uma forma mais activa para comunicarem com os vossos fãs?


YCWCB: Principalmente o Facebook (http://www.facebook.com/Youcantwincharliebrown)
  
EM: Que nomes colocavam no vosso "Festival Ideal"? (Vivos ou não)

YCWCB: Deerhoof; The Flaming Lips; Sigur Rós; Radiohead; Jeff Buckley; Tom Waits.




EM: Como é a vida dos «You Can’t Win, Charlie Brown» para além da música?


YCWCB:
Depende, uns trabalham, outros estudam, outros fazem mais música ainda – O Luís tem um projecto a solo, o David tem Noiserv, o João toca com os Diabo na Cruz, Feromona, Julie and The Carjackers...

EM: Quais são os vossos planos para os próximos meses? Por onde andarão?


YCWCB:
Para já os nossos planos são mostrar a nossa música. Vamos estar no Lux a 15 de Setembro e depois vamos para Inglaterra dar uns concertos no final do mês.


Agradecimento Especial: Let's Start A Fire

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar

Sunday, June 05, 2011

[ENTREVISTA] Pedro Barroso

Porque os Grandes Tributos se fazem em Vida, o Eclectismo Musical presta homenagem a Pedro Barroso, um dos maiores Autores portugueses, com uma entrevista muito especial. Trovador de excelência, com mais de 40 anos de carreira, sempre com um espírito interventivo, acutilante e possuidor de uma mordaz ironia, a sua vida corre na tranquilidade de Riachos (Ribatejo), mas sem nunca deixar de ser um atento observador de tudo o que se passa nos nossos tempos.

Professor, fisioterapeuta, escritor, poeta, pintor, artista plástico, Músico, numa palavra, Iluminado. Sem meias palavras, sempre sem medo de dizer o que pensa, Pedro Barroso respondeu, com a frontalidade de sempre, às questões colocadas pelo Eclectismo Musical.

Ainda que tendo a consciência de não ser este um nome conhecido da maioria dos seus leitores, o Eclectismo Musical considerou que a Obra e o Homem, justificavam cabalmente este momento que, esperamos, sirva também precisamente para mais pessoas procurarem conhecer a extraordinária Obra deste grande Senhor da Arte em Portugal.

Eclectismo Musical (EM): Com pragmatismo, ainda que com algum sentimento de enorme injustiça, teremos que dizer que o Pedro Barroso (O trovador, já que existe um outro mediático via "morangadas” da TV) é um perfeito desconhecido para as novas gerações. O que diria a estes jovens (e outros nem tanto) sobre o seu legado?

Pedro Barroso: Venham assistir a um concerto meu e ficarão a saber como comunico e que recados trago na bagagem e na poesia que faço. Normalmente no fim vêm confessar a sua surpresa e ficam seduzidos, pois tenho tido provas de ser transversal e intergeracional.




EM: Para alguns (infinitamente redutores) o Pedro Barroso é o cantor popular da “perninha da menina”, para outros, uma espécie de eremita afastado dos círculos sociais, quem é realmente o Pedro Barroso depois de mais de 40 anos de carreira? 

Pedro Barroso: O menos «perninha da menina» que é possível – que nem faz normalmente parte do alinhamento dos concertos…- pois toda a minha obra de há 30 anos a esta parte é dedicada ao sonho de um mundo melhor, mais humano, mais solidário, ao amor pela história, às artes infinitas da intimidade e da ternura, ao erotismo, à intervenção - não panfletária, mas outrossim atenta e sempre procurando semânticas da inteligência e da sensibilidade… 

EM: Considera que o seu espírito inconformista, de constante intervenção social, por vezes mesmo de crítica mordaz, bem como a conotação política que lhe está associada desde os tempos das campanhas de dinamização cultural organizadas pelo MFA e posteriores intervenções cívicas, marcou, limitou e condicionou significativamente a sua carreira e a forma como as pessoas o vêem?

Pedro Barroso: Estou no ponto de vida e de carreira em que me estou absolutamente a afastar do que pensem e dos alinhamentos recomendáveis. Sou, existo e intervenho criticamente – basta. O meu corrosivo livro "o país pimba" é muito explicativo sobre isso. A ironia é uma arma letal. Um problema é que os verdadeiramente estúpidos e medíocres não a entendem. E os verdadeiramente culpáveis e corruptos percebem que é com eles, mas já perderam a vergonha há muito tempo.

Mas direi que sim – se tivesse aceitado condições político partidárias ou qualquer outro tipo de arregimentação visível ou oculta, provavelmente seria o ícone que a espaços referenciam em mim os verdadeiramente livres e independentes de critério, como vejo nos comentários que de mim fazem no youtube. Assim, sou um desconhecido, que para uns milhares de pessoas de sensibilidade é quase um guru da diferença e para os outros é absolutamente ninguém.

















EM: Ou seja, tal como por exemplo um Sílvio Rodriguez ou um Vítor Jara, ainda que com níveis de participação e história conjectural substancialmente diferentes, considera que dissociar a arte e o artista, das suas convicções políticas, é um exercício exequível? Ou, por outro lado, é uma tentativa que nem sequer faz sentido?

Pedro Barroso: Eu tenho dificuldades em controlar o Pedro Chora, o meu heterónimo pintor, por exemplo. O homem é louco e arrojado, não tenho mão nele… e muitas vezes acontece-me o mesmo com o Barroso, tenho de o travar para não ser tão chato e excessivamente palavroso gongórico e criptado na sua erudição. Sou cooperativista mas também sou pela propriedade privada. Não há partido em que me reveja e nas eleições esse meu não alinhamento diverte-me imenso, respondo apenas perante a minha consciência. Mas uma boa canção sobre a ternura humana, o entendimento da montanha, o sonho do futuro, não pode ter peias nem emblemas ou nunca seria livre

Nos antípodas, o artista engajado a uma força politica concreta, fica condenado a uma espécie de disciplina criativa e temática que, peço desculpa, mas, me repugna.


EM: O Pedro dizia, em 1999, que "Vivemos dias cinzentos. Dá vontade de voltar à canção de intervenção com ironia e rigor poético". Perante a actual situação do País, para além de iniciativas como a manifestação «facebook», onde marcou presença, considera possível voltar à canção de intervenção?

Pedro Barroso: Toda a canção pensada de forma profunda reflecte e faz parte da estrutura de onde nasce, isto é, a nação onde vive e cresceu a ideia criativa. Grande parte dos políticos actuais são aldrabões e oportunistas e não prestam. Precisam de ser enxotados e desconfiam dos homens da cultura como cães perigosos que podem expor a sua incompetência. Ser culto é uma forma de intervir – eles sabem disso e não gostam. Não é preciso uma canção dizer mata e esfola. Basta ter profundidade, tema, inteligência, humanidade, visão livre das coisas e ideias e já estará a ser de “intervenção” Mas que isto está a precisar de outro sistema e outra nomenclatura… está sim senhor!


EM: A propósito, qual considera ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal? 

Pedro Barroso: Sei pouco do que se faz e não gosto da maior parte das porcarias que ouço na rádio e vejo na TV. Aprendi com o ZECA, fiz palco também com o Fanhais; o Adriano; Janita; o Vitorino; o Julio Pereira; o Fausto; o Tordo; o Carlos Mendes; o Paulo; o António Macedo. Bebi inspiração na Barbara; no Brel; no Becaud; no Aznavour; na Piaf; no Cohen; no Pete Seeger, eu sei lá quem é esta gente que hoje comanda os prémios e o tempo de antena todo que anda por aí…Nem quero saber, é-me indiferente! Vingo-me assim – eles não sabem quem eu sou e eu raramente também sei quem são estes modernos… 

EM: No entanto, a sua carreira é muito mais do que apenas músicas de intervenção ou de alerta e consciencialização social. Bastará recordar meia dúzia de canções de Amor, com «Menina dos olhos d’água» à cabeça e o peso da Mulher na sua Arte, na música, nos poemas, nos livros, na pintura (enquanto Pedro Chora, o "pré-verso") O Pedro é um eterno apaixonado?

Pedro Barroso: Gosto muito de alguns animais lindíssimos que há na natureza, sim. Entre eles o tigre da Sibéria, o cavalo lusitano e obviamente, a fêmea do homem – esse espanto da sedução e do capricho, esse ser da tesão e da beleza que é a mulher - quando sabe sê-lo… perdoem-me o humor, claro…

Uma mulher bonita fura a eternidade e faz poesia por si. Sou um enorme admirador. Assumo.




EM: Em 1987 escreveu: “é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas / é tão difícil encontrar pessoas assim pessoas” (Música: Bonita) De lá para cá, o balanço que faz das pessoas que foi conhecendo é mais positivo ou mais negativo?

Pedro Barroso: Estão mais bonitas por fora. Fazem plásticas, piercings e depilam-se e tudo. Elas e eles. Mas por dentro… ai que longe de serem o que é preciso…eu é que aprendi talvez a seleccionar melhor quem me entra na intimidade.



EM: Vive na sua casa de Riachos na tranquilidade do campo, afastado dos grandes centros (“e digam por favor de onde nasce o sol/que eu basta-me o calor – para lá me voltarei”) A solidão da criação e da fruição dos dias é fascínio, opção ou, passe a expressão, falta de paciência para pessoas? 

Pedro Barroso: Muita falta de pachorra. E sou exclusivo e muito secreto também. Não facilito muito, confesso, a intrusão nos meus espaços. Gosto imenso de estar sossegado e fazer muito pouco. Por exemplo tenho imensa arte - escultura e pintura sobretudo - nas minhas casas. Se a pessoa que a visita não perceber as paredes que está a ver, para quê fazer amizade com um imbecil? Se não entende os recados que estão numa canção, e me disser apenas que está muito bem cantada e que tenho uma bela voz, para quê discutir com ela as intenções que presidiram à canção? Tenho lados de mim que são muito, muito selectivos e só experts poderão penetrar. Se o conseguirem fazer, ok, são suficientemente inteligentes e cúmplices para merecerem a minha amizade. Se não me percebem, então por favor também não me chateiem. Sou muito preguiçoso e gosto imenso. 

EM: Depois do «dramático» anúncio do final de 2010 sobre o seu abandono dos palcos, a verdade é que, em 2011, continua a poder ver-se, ainda que esporadicamente, o Pedro em concerto. Foram «os amigos» a convence-lo ou continua a sentir “fome de palco”? 

Pedro Barroso: Eu disse que terminava os grandes concertos, os de mais de duas horas sem intervalo. E acabei. Hoje faço concertos de uma hora. E trabalho o menos que posso. Mas o palco nunca se recusa, é um sitio mágico onde vivi os melhores momentos da minha vida.

















EM: Em 2009 gravou «Esperança» com a Tuna de Veteranos de Viana do Castelo. Como surgiu o convite?


Pedro Barroso: Eles contactaram-me, tinham uma versão; senti curiosidade e fui. Ficamos muito amigos.



EM: Perante a excelência e riqueza da sua obra, o exercício de escolher os seus melhores poema é algo extremamente difícil e ingrato. No entanto, «Excesso» é provavelmente a sua canção mais íntima, a que mais provoca “cócegas na alma”. Partilha desta visão? O criador consegue preferir algum dos seus “filhos”?

Pedro Barroso: "Nah" Há tantas coisas que gosto que era impossível. Mas há canções que ainda hoje me arrepiam e outras que me espanto como consegui fazê-las.



EM: Uma curiosidade, enquanto professor, orador e comunicador de excelência, o que lhe parece o presente Acordo Ortográfico, a que, alguns, chamam de Novo? 

Pedro Barroso: Um disparate sem sentido, com cedências que nem muitos intelectuais brasileiros compreendem!

EM: Que nome colocaria no seu "Festival de Música" ideal?

Pedro Barroso: "Esqueça tudo o que ouviu", talvez...ou "Vamos cantar baixinho", sei lá...



EM: O que está a criar neste momento? Podemos esperar algum material novo nos próximos tempos? 

Pedro Barroso: Deve chamar-se "itinerários do amor e da revolta"e está em gravação mas avança lentamente …talvez para o fim do ano se tudo correr bem. 

EM: Que mensagem deixaria às gerações mais jovens sobre o Futuro? 

Pedro Barroso: Leiam, fascinem-se procurem. Ouçam as coisas que ninguém ouve; e nunca achem que muito barulho equivale a muita razão - nem na politica nem na música. Sonhem muito. Vivam o vosso tempo e a vossa idade. Amem muito mas busquem o fundo do mar e o pico da montanha. Ouçam o Barroso, já agora, escondidos ao fim da noite, nem que seja em grupos clandestinos. Abracem o futuro com ganas de mudança. Criem outros políticos e outro sistema. Sejam sempre livres por dentro, que é o sitio certo para nunca ser agrilhoado.



"Nunca é tarde para sonhar..." Obrigado Pedro!

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar

Sunday, May 15, 2011

[ENTREVISTA] Frankie Chavez

A convite do incansável Henrique Amaro, Frankie Chavez reuniu em 2010 um conjunto de temas e lançou um EP através da iniciativa Optimus Discos (download aqui). A partir desse momento foram-se sucedendo as críticas positivas e as referências elogiosas ao seu trabalho. Sempre em formato «One Man Band», Frankie vagueia entre o Blues e o Folk de inspiração americana, ainda que com influências de outras latitudes e ambientes.

Sendo neste momento um dos nomes mais promissores da música feita em Portugal e uma das revelações do blues de origem europeia, Frankie Chavez, i.e., Joaquim Chaves, lançou recentemente o seu primeiro álbum «Family Tree» e o Eclectismo Musical esteve à conversa com o músico para ficarmos a conhecer melhor o universo deste novo nome a ter em conta na música feita em Portugal.



EM: Não é só coincidência que o teu nome artístico, para além da tradução do teu nome, remeta automaticamente para uma linha Jack Johnson ou Jason Mraz, pois não? Ainda és um surfist «cool», apesar da sonoridade mais crua, mais blues?

FC:  Coincidência ou não isto começou de uma brincadeira. Na altura em que estava a pensar começar a gravar os primeiros temas com um produtor meu amigo, começámos a pensar num nome que fosse apelativo e que fizesse sentido exportar. Pensámos "se isto fosse nos states ou na Australia como é que se chamaria?" Traduzindo o meu nome à letra ficou Frankie Chavez.
Achámos que caía bem no estilo de som que eu fazia e quando dei por mim já tinha facebook e myspace. O que é certo é que soa bem, pelo menos a mim.

Quanto ao surf: já fiz mais surf do que agora…. Agora não tenho tido muito tempo. Mas sempre que posso gosto de ir.



EM: A tocar guitarra desde os 9 anos, os Blues sempre foram a maior paixão? Como descobriste a tua veia de «cantautor»?

FC:
Comecei a tocar desde muito cedo sem nunca pensar na parte da voz. O meu gosto era mesmo a guitarra e tentava sempre fazer o que os meus guitarristas de referência como o Hendrix, Gary Moore, Jimi Page faziam. Nunca pensei vir a cantar musicas minhas. Só quando pensei que queria encontrar a minha própria sonoridade é que isso aconteceu. Comecei a tocar em bares. Tocava e cantava versões das minhas influências. Na altura era Reggae, essencialmente. Depois comecei a escrever os meus próprios temas e comecei a gostar de alguns. Foi quando pensei que algumas coisas soavam bem e que podiam vir a ser canções.


EM: Em «Family Tree» entre procura, partidas e chegadas, fica claro que a Família é o teu maior pilar?

FC:
Famiy Tree nasceu das circunstâncias. Tive 2 anos carregados de experiências pessoais fortes. Fui pai, mudei de casa 2 vezes, casei, lancei o meu primeiro EP… foram coisas que me marcaram como pessoa e que convergiram no mesmo sentido que foi o de começar uma família e de apostar num caminho que queria seguir. Foi uma época de balanço e de pensar na vida. De onde vim e para onde quero ir. Quando estava a preparar o disco escrevi o tema "Family Tree" e achei que essas duas palavras resumiam todo o álbum.


EM: Antes do EP da Optimus Discos, o projecto no formato «One Man Band» já era o que perspectivavas para a tua carreira enquanto músico, ou ponderavas repetir projectos com os Toranja?
FC: Não. O formato de One Man Band surgiu porque já tinha temas que funcionavam bem nesse formato e achei desafiante e honesto apresentá-los ao vivo assim. Com os Toranja foi uma estadia curta. Gostei bastante pois foi a primeira vez que fui para estudio mas não pensei em repetir projectos com Toranja.


EM: Qual consideras ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?
FC: Há muita coisa boa a aparecer neste momento:
 - Julie and the Carjackers: é uma banda com excelentes musicos e com uma sonoridade muito original para Portugal;
 - Norberto Lobo: é um excelente guitarrista;
 - Emmy Curl: tem uma visão musical da qual eu gosto muito e uma voz incrível;
 - DJ Ride: é dos melhores Djs que tenho visto;
 - Cais do Sodré Funk Connection: tocam possivelmente o melhor funk em Portugal;
 - You Can't Win Charlie Brown: a banda com melhores arranjos, a par e passo com Julie and the Carjackers
 - Stereo Addiction: dos melhores (senão o melhor) progressive nacional



















EM: Que relação tens com as novas tecnologias? Quais os canais que costumas utilizar de uma forma mais activa para comunicares com os teus fãs?


FC: Utilizo o Facebook e Reverbnation. Costumava utilizar o Myspace mas desde que mudaram o grafismo não me consigo entender com aquilo….
EM: Qual é a ordem do teu processo criativo? Tens um método ou varia consoante o momento?
FC: Varia entre dois métodos, penso eu. Ou escrevo primeiro a letra e depois faço a musica ou componho primeiro a musica e depois sai a letra.


EM:O que consta do percurso profissional/académico do Joaquim Chaves para além dos «alter-egos» musicais?
FC: Licenciei-me em gestão de empresas e trabalho em marketing.
EM :Que nomes colocavas no teu "Festival Ideal"? (Vivos ou não)
FC: Robert Johnson; Jimi Hendrix; Ali Farka Touré; The Black Keys; The Racounteurs; The Cat Empire; Beck; Tomatito (para começo de noite a comer umas tapas); Sublime; Ramones




















EM:
Quando olhas para ti consegues dizer: "este vai ser o meu plano de carreira", ou entendes a criação sobretudo como fruição?
FC:
este é o meu plano de carreira.

EM: Por onde vais andar nos próximos tempos? Onde é que as pessoas te podem ver?
FC:
Queima das fitas Lisboa: 13 Maio
Queima das fitas Algarve: 14 Maio
Estoril Surf Music Billabong Girls: 9 Junho
Eco Festival "Salva a Terra" (Salvaterra de Magos): 11 Junho
OutJazz: 24 Junho (Jardim do Principe Real)
Arrifana Sunset Fest: 31 Julho (Arrifana)
 

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar

Tuesday, April 26, 2011

[ENTREVISTA] Dazkarieh

Os Dazkarieh são um dos projectos mais interessantes da música portuguesa, contando com mais de 12 anos de carreira e fazendo um som de fusão entre o Rock e a Música Tradicional Portuguesa.

Recentemente lançaram o seu quinto álbum: «Ruído do Silêncio», que é uma clara afirmação e confirmação de uma identidade muito própria, que começa na escolha do nome e que se prolonga por todo o universo criativo da banda.

O Eclectismo Musical esteve à conversa com Vasco Ribeiro Casais para conhecer melhor o trajecto e as ideias dos Dazkarieh.




A incontornável primeira pergunta: porquê Dazkarieh?


Porque queríamos ter um nome que fosse só associado a nós e para isso criámos uma palavra de raiz que significa a nossa música e a nossa energia em palco.
Doze anos depois, onde estão e para onde querem ir os Dazkarieh?

Estão numa fase de grande confiança, em que já têm um público sólido (dentro e fora de Portugal) que segue a banda e começam agora a chegar a a cada vez mais pessoas. Como objectivos futuros, o nosso objectivo é o mundo! Queremos continuar a fazer a música que gostamos e a partilhá-la com as pessoas.


Recentemente lançaram «Ruído do Silêncio», álbum que parece ser aquele que melhor vos representa enquanto banda de fusão entre a música tradicional portuguesa e o Pop/Rock, partilham desta visão?

Sim, é sem dúvida o nosso melhor disco, em que as nossas ideias foram mais claramente expressas e em que sentimos a consolidação do nosso som. Podemos dizer que já temos um som que nos define e que realmente é essa fusão entre a música de tradição oral e o rock mas não só, é também a nossa identidade enquanto seres humanos e artistas.
Como funciona o processo criativo dos Dazkarieh? De que forma é feita a recolha dos temas e a sua transposição para a linguagem Dazkarieh?

O que fazemos é ouvir durante bastante tempo várias recolhas e progressivamente escolher as que mais ligação têm connosco. Depois depende muito da música e do que sentimos com ela. Vamos experimentando vários instrumentos e várias abordagens até chegarmos ao que se ouve nos discos. Por vezes as coisas são imediatas, em horas temos o tema pronto na sua versão final.

Em relação aos temas originais primeiro criamos a melodia principal, depois a Joana escreve a letra e com base na letra fazemos o arranjo. É em muito semelhante aos temas tradicionais e há músicas que são imediatas e outras que requerem mais tempo de gestação.
 





 









Do vosso som resulta um enorme cuidado na selecção dos instrumentos e na sua conjugação. Sempre tiveram como objectivo fundamental pegar em instrumentos de diversos locais do mundo (e não apenas nos instrumentos tradicionais portugueses), ou foi algo que veio a acontecer no decorrer do processo criativo?


Numa fase inicial estávamos mais virados para todo o mundo mas com o tempo achámos que fazia mais sentido explorar a nossa tradição e os nossos instrumentos e progressivamente vamos utilizando mais instrumentos portugueses. Neste momento o único instrumento estrangeiro é a Nyckelharpa, de resto usamos o Cavaquinho, as Gaitas de Fole Portuguesas, o Adufe e a Voz.

Que sentimento têm ao pensar que a vossa música representa o País e, provavelmente, terá sempre maior destaque fora de portas do que em território nacional?

É verdade que temos tido bastante destaque fora de portas mas discordo que a nossa música não irá ter a mesma importância dentro de Portugal. Os portugueses estão cada vez mais a gostar deles mesmos e isso começa a notar-se em todas as áreas. Por outro lado é muito bom tocar fora de Portugal e ter pessoas que não falam a nossa língua a trautear as nossas músicas.



A propósito, qual consideram ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?

Consideramos muito bom em todas as áreas. Temos grandes artistas e músicos a fazer coisas muito boas e interessantes e melhor ainda temos o público cada vez mais receptivo aos artistas nacionais. Acho que é sempre bom ver o que se passa no mundo mas temos artistas nacionais tão bons ou melhores que os internacionais.

Consideram que no vosso caso a Internet foi/é um motor no vosso desenvolvimento enquanto banda, nomeadamente, no número de pessoas a que chegam, especialmente no estrangeiro? Quais são os canais que utilizam de uma forma mais activa para comunicarem com os vossos fãs?

Sim, a internet é sem dúvida uma ferramenta essencial nos dias que correm. Neste momento o facebook (http://www.facebook.com/pages/DAZKARIEH/) é a ferramenta de comunicação mais directa e activa. Depois claro o nosso site (http://www.dazkarieh.com) myspace (http://www.myspace.com/dazkarieh) e todos os meios disponíveis.



















Têm estado sempre longe das grandes editoras. Opção, inevitabilidade do estilo musical ou conjectura económica? A distribuição tradicional ainda perdura ou as grandes editoras tornaram-se desnecessárias?


Nos primeiros discos foi mesmo opção. Mais para a frente ainda houve algum interesse mas que não deu em nada. Também há que perceber que as grandes editoras são empresas focadas no lucro e que querem é vender, não são propriamente agentes culturais. Apesar de acharmos que a nossa música pode chegar às massas, o que fazemos é original e diferente e como tal existe um resistência grande ao que é diferente, mesmo por aqueles que dizem que apostam em coisas diferentes. Neste momento estamos com uma editora Alemã e temos a nossa música distribuída fisicamente na Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal e a expandir para outros mercados. Digitalmente está em todo o mundo. Estamos muito satisfeitos com o trabalho em conjunto com eles.

Por outro lado é um facto que tudo mudou na indústria discográfica. Já não se vendem tantos discos e as grandes editoras estão a virar-se para os concertos. Hoje em dia as bandas já não necessitam de uma editora para fazer chegar a sua música às pessoas o que faz com que existam cada vez mais projectos interessantes e que se desenvolva mais a arte sem ter em vista só uma perspectiva comercial.

O Auto-financiamento é a única forma sustentável de produzir um disco e apostar numa carreira internacional ou terá forçosamente que ser o estado a apoiar em projectos como o “Portugal Music Export”?

No nosso caso e até agora foi sempre tudo auto financiado com excepção deste ultimo trabalho que teve um apoio da Sociedade Portuguesa de Autores. Felizmente foi criado o “Portugal Music Export” há semelhança do que já existe lá fora há muitos anos. Tenho esperança nesse projecto e acho que toda a música portuguesa vai beneficiar dele.



Que nomes colocavam no vosso "Festival Ideal"? (Vivos ou não)

Metallica, Muse, Ben Harper, Portishead, Queen (com o Freddy Mercury), Radiohead, NIN, Velha Gaiteira, Ornatos Violeta, Garmarna, Hedningarna, Lhasa.


Quais são os vossos planos para os próximos meses? Por onde andarão?

Estaremos por Portugal a promover o nosso disco. Temos duas saídas: Suíça em Julho e Lituânia em Agosto. Estamos sempre em agitação interior por isso já se pensa em projectos próximos.

Labels: ,

Bookmark and Share
posted by EM at

Partilhar
Eclectismo Musical

Eclectismo Musical