Monday, January 31, 2011

Hino de uma Geração















Os Deolinda criaram aquele que se transformará rapidamente no «hino de uma geração». Video e letra:




"Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, 
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, 
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’, 
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar 
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, 
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’ 
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’ 
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar."

Friday, January 28, 2011

ENTREVISTA: Emmy Curl


Aos 20 anos, Catarina Miranda tem já "nove anos de carreira" e é uma multifacetada artista. Nascida num ambiente artístico e beneficiando do isolamento natural provocado por isso ter acontecido em Vila Real, Catarina apresenta um estilo muito próprio em que a melancolia, o encantamento e os ambientes bucólicos transformam as suas composições em momentos de rara beleza. Num mundo criativo que vai da pintura à música e onde se notam os efeitos de não ter crescido num grande centro urbano, Catarina Miranda apresenta o seu mundo encantado pela voz de «Emmy Curl» e com ela poderá chegar muito longe. Se fosse sueca estaria já nas bocas do mundo indie, assim, demorará apenas um pouco mais a chegar onde merece. Encontra-se neste momento a ultimar o seu primeiro disco de originais, com saída prevista para Março e teve recentemente direito a um EP editado através da Optimus Discos, disponível para download aqui! No ano passado teve o seu, até agora, momento mais alto, ao ser a artista escolhida para fazer a primeira parte do concerto dos Eels no Coliseu. Da entrevista que poderão ler em seguida ressalta a maturidade de alguém que apesar da sua juventude é uma artista de corpo inteiro.


«Emmy Curl». De onde apareceu este nome e como descreves a Catarina e a Emmy? Alter Ego ou apenas personagem de ficção?

Emmy foi um nome que me apareceu ainda na pré adolescência...como já pintava e tinha uma ideia de como queria fazer a arte decidi dar-me um apelido. Depois Curl apareceu mais tarde, quando um boom de artistas femininas apareceu também com o nome de Amy ou com uma sonoridade parecida e pensei que o meu nome precisava de uma sustentação até fonética. Caracol é além de ser o símbolo do meu signo (caranguejo) e representar a lua, encontra-se nos meus desenhos desde que me lembro, sempre fiz cabelos e ornamentos em torno de um papel, por isso decidi que se adequava.

Como foi o teu percurso artístico?  Sendo ainda muito jovem, já nasceste rodeada da tecnologia, isso permitiu que Vila Real fosse apenas uma porta para o mundo?
Aprendi a tocar guitarra aos 11 anos, depois nunca parei, os meus pais deram-me algumas aulas de solfejo e estudos clássicos para viola. Quando nos mudámos para uma diferente casa, o meu pai construiu numa cave um estúdio para gravar o projecto dele (e da minha mãe) e aos 14 comecei a gravar muito na base da experiencia, já tinha algumas músicas feitas nesse ano e comecei aquela que seria uma das grandes pontes para tudo o que aconteceu. Não tinha grande consciência do que estava a fazer, aquilo simplesmente dava-me gozo. Para uma menina ouvir nos phones a propria voz é uma descoberta incrível. (e já desde pequena que o meu sonho era ter um gravador!) Quando depois descobri o Myspace e coloquei lá as minhas músicas começaram a chover propostas de concertos e lá ia eu sozinha com uma guitarra tocar para onde fosse.



Ao que parece tens uma quase obsessão em ouvir repetidamente as tuas gravações. Sempre à procura do mais ínfimo pormenor a corrigir? O perfeccionismo chega a ser um defeito?
Sim, desde que gravei as primeiras canções, ou impressões, comecei pela caça à "voz ". A minha voz não é assim, eu trabalhei para chegar à voz que tenho e desde cedo tenho uma ideia muito sóbria daquilo que quero transmitir, ainda não cheguei onde quero, mas estou no caminho certo, penso. Havia noites que ficava em claro a ouvir em repeat canções que fizera recentes, e a cada repetição detestava cada vez mais a música, porque encontrava outro e outro pormenor que não ia de encontro ao meu ideal. No dia seguinte, em vez de ir corrigir os erros fazia uma nova. (risos) Eu tomava (e tomo) a música como um processo evolutivo, não me apego demais a elas, porque sei que posso sempre fazer melhor, mas fica sempre uma parte de mim ou um estado de espírito na fórmula da canção.


Qual é a ordem do teu processo criativo? Tens um método ou varia consoante o momento?

Acho que o meu processo criativo é muito igual a todos os artistas, às vezes sem querer ele aparece e quando queres que ele apareça ele nunca aparece. Para mim é facil criar, mas criar e soar mágico é completamente diferente. Aí é que tem o papel da inspiração, criar é fácil, mas estar inspirado para criar é muito mais complexo.
Para mim quando estou isolada crio mais fluentemente, Vila Real, como digo, é um antro de isolamento e inspiração, parece que tudo o que crio dalí ecoa nas montanhas para o Mundo, faz tudo parecer maior.




Como classificas os três anos que passaste no Conservatório Regional de Vila Real e, de uma forma mais abrangente, qual é a tua visão relativa ao ensino musical clássico em contraponto ao, cada vez maior, «autodidactismo» potenciado pela tecnologia?
Eu respeito todos os artistas e pessoas que pensam que a formação clássica musical é o melhor meio para quem quer seguir música. Eu apenas retirei o que achei necessário de tudo aquilo, poderei estar enganada, porque há sempre mais para aprender, mas o meu caminho, achei, era outro. Tenho hoje visibilidade de dois pontos de vista diferentes, para mim acho que devemos tirar só o necessário para o caminho que queremos fazer, de modo também a influenciarmo-nos mais localizadamente e com mais interesse, porque estamos a aprender o que vai servir para andar o que eu queremos ser. Por outro lado acho que o ensino nunca é demasiado. Um ponto de equilíbrio entre os dois seria o ideal. 
Portanto dou graças por ter aprendido aqueles poucos anos de formação clássica que me serviram até hoje, mas para mim, como um ser influenciável, acho que fiz bem em ter feito outro caminho, há coisas que nos esquecemos que temos cá dentro quando nos ensinam como devemos fazer algo, e toda a minha música à parte do tecnicismo instrumental é toda transmitida primitivamente na melodia e na mensagem.
 















Qual 
consideras ser o «estado d'arte» da música feita em Portugal?
É difícil abtrairmo-nos das dificuldades em singrar enquanto musico num país com um mercado e um investimento cultural tão pequeno. Existe muita oferta musical, é um facto, e facilidade em ouvir o trabalho dos grupos. Gostava de ver mais artistas Portugueses a vingar no estrangeiro, sem medo de arriscar. Gostava que se desse valor à Arte. Gostava que as pessoas percebessem que a arte tem toda a importância para a base de uma sociedade saudável.

Como é a vida profissional da Catarina para além da Emmy Curl? 
Para além do meu projecto musical estou inserida no espectáculo Rouge encenado e criado por João Fino, uma fusão de teatro e música, que vai dar muito que falar em breve. Tenho um outro projecto pronto a ser editado chamado Deep:her, com o Gijoe. Tenho um projecto alternativo com a Dama Bete, mais electrónico indie: Cherry Sparks. Participei recentemente numa faixa de Frankie Chavez, que vai lançar um CD em breve. Costumo colaborar com Djs e outros músicos sempre que possível.



Que nomes colocavas no teu "festival ideal"? (Vivos ou não)
Little Dragon, Goldfrapp, José Gonzalez, Ivy, Telepopmusik, Bjork, para fechar Edith Piaf e Amália.



O que achas dos novos veículos de comunicação, és uma utilizadora convicta? Que meios utilizas? 
Sim...uso facebook (risos), mas apenas para partilhar música ou informações úteis a todos...Não concordo com partilhas muito pessoais, porque nunca sabemos quem vai ler. Apesar de eu ser um pouco à moda antiga concordo que é útil para todos, e um grande passo na evolução da humanidade se usado correctamente.
Uso também o
Myspace (http://www.myspace.com/emmycurl) e Youtube (http://www.youtube.com/user/emmyfairyswispers).


Uma última questão, tens planos/objectivos de carreira definidos?

Estou a gravar o meu primeiro CD, em Março estará à venda nas lojas!

Thursday, January 27, 2011

A Descobrir: The Head And The Heart
















Os «The Head And The Heart» são uma das novas apostas da Subpop, apesar de o projecto já ter alguns anos. De Seattle chega-nos um projecto muito promissor e que vai certamente dar que falar no panorama indie.

Tuesday, January 25, 2011

A Descobrir: Yuck - Yuck



















Os Yuck são um banda anglo-nipo-americana radicada em Londres que apresentou recentemente o seu álbum de estreia. Os Yuck colocam-se entre o rock alternativo americano e o shoegaze num ambiente de «revivalismo 90's».



Friday, January 21, 2011

Broken Social Scene: Full Concert!



















O extraordinário colectivo canadiano Broken Social Scene deu no passado dia 17 de Janeiro um concerto no Terminal 5 em NYC, que teve transmissão via Youtube. Para quem quer ver, ou rever, é possível assistir na íntegra ao concerto aqui:

Wednesday, January 19, 2011

MANOWAR em PORTUGAL!!!




















Este talvez seja para muitos dos habituais leitores do Electismo Musical um "post estranho" mas, é com grande entusiasmo que o EM anuncia que:


«Após 12 anos de espera, a banda norte-americana de heavy metal Manowar está de volta a Portugal.


Dia 2 de Abril de 2011 o Campo Pequeno vai receber a banda conhecida por tocar mais alto e que tem o melhor sistema de som do mundo. Este grupo detém também o recorde mundial do concerto mais longo da história. Recordes registados no "Livro Guiness dos Recordes".»

A última vez que cá estiveram, na antiga Praça Sony da Expo 98, foi simplesmente assim:

Monday, January 17, 2011

Hurts a 15 de Fevereiro no Porto

















Os britânicos Hurts, que se estrearam em Portugal no Optimus Alive!10, vêm a Portugal apresentar o primeiro longa-duração, «Happiness», editado em Setembro do ano passado. O concerto realiza-se no Hard Club, em Vila Nova de Gaia, a 15 de Fevereiro de 2011, às 21h00.


Theo Hutchcraft e Adam Anderson criaram os Hurts em 2009 e rapidamente geraram uma enorme expectativa em torno da banda. Ainda antes de editarem o primeiro disco já tinham sido considerados Band of the Day, pelo jornal The Guardian, além de terem sido eleitos pela BBC como uma das cinco bandas mais promissoras para 2010.

«Happiness» o primeiro álbum, inclui um dueto com Kylie Minogue, «Devotion», e o disco já atingiu o quarto lugar do top de vendas no Reino Unido.

Thursday, January 13, 2011

Xutos & Pontapés: 32 Anos
















«No dia 13 de Janeiro de 1979 a sala dos Alunos de Apolo estava cheia e enfumarada. Na pista de dança os pares vestidos a rigor pareciam saídos de algum filme dos anos cinquenta, popas, rabos-de-cavalo, saias rodadas, blusões de cabedal, brilhantina a rodos, sapatos com sola de ceilão, botas de salto espanhol, cais-cais ousados, camisolas de gola alta... (...).
Era a festa comemorativa dos 25 do Rock'n Roll!
(...)
A surpresa seria a apresentação de uma banda estreante, os Xutos & Pontapés Rock'n roll Band, que fazia questão em frisar que Rock'n roll Band era apelido. Já passava das três da manhã quando invadiram o palco como um tornado, debitaram a uma velocidade incrível quatro temas originais e abandonaram o palco sem que muitos dos presentes dessem por eles.»

Ana Cristina Ferrão, Conta-me Histórias - Xutos & Pontapés, Assírio & Alvim, 2009, p. 27

"A verdadeira beleza natural nunca se desvanece"





















Em 1998
, a Holandesa Anouk, na altura com 23 anos e solteira, participou no Festival Pinkpop e teve uma prestação avassaladora, retirando inclusivamente a t-shirt que vestia no início do concerto, depois de ter sido atingida por um ovo:


























Em 2008
, já com 33 anos, casada e mãe de três filhos, Anouk deu um concerto para 60 mil pessoas, integrado na Tour «
Who's Your Momma» e foi assim:


Wednesday, January 12, 2011

Original vs Cover vs Youtube
















O Original (Leonard Cohen)
 
  O Melhor "Cover oficial" (Jeff Buckley)
 Uma excelente "versão youtube" (Juliana Richer Daily)

Tuesday, January 11, 2011

Destaques do Ano

O Eclectismo Musical apresenta como habitualmente os destaques do ano. (sem ordem de preferência)








Como já vai tarde e a disponibilidade temporal não permite maiores grafismos, aqui fica, para memória futura, os principais destaques de 2010 na opinião do Eclectismo Musical.


 Hot Chip - One Life Stand
 Rogue Wave - Permalight
 Two Door Cinema Club - Tourist History
 Balmorhea - Constellations
 Gorillaz - Plastic Beach
 Jónsi - Go
 Pavement-Quarantine The Past
 She & Him - Volume Two
 Band of Horses - Infinite Arms
 Erykah Badu - New Amerykah Part Two (Return Of The Ankh)
 Girls - Album
 LCD SoundSystem - This Is Happening
 Mazgani - Song of Distance
 The Nacional - High Violet
 Orelha Negra - Orelha Negra
 Pedro Abrunhosa e Comite Caviar - Longe
 The Black Keys - Brothers
 Aqualung - Magnetic North
 Deolinda - Dois Selos e um Carimbo
 Gil Scott-Heron - I'm New Here
 Joanna Newsom - Have One On Me
 The Morning Benders - Big Echo
 Tim - Companheiros de Aventura
 John Grant - Queen of Denmark
 Local Natives - Gorilla Manor
 Moto Boy - Moto Boy
 The Drums - The Drums
 The Innocence Mission - My Room in the Trees
 Wild Nothing - Gemini
 Arcade Fire - The Suburbs
 Horse Feathers - Thistled Spring
 I Am Kloot - Sky At Night
 Noiserv - A Day In Day Of The Days EP
 Rita Redshoes - Lights & Darks
 Sharon Jones & The Dap Kings - I Learned the Hard Way
 Best Coast - Best Coast
 Eels - Tomorrow Morning
 Holly Miranda - The Magicians Private Library
 Isobel Campbell And Mark Lanegan - Hawk
 MGMT - Congratulations
 Mumford & Sons - Sigh No More
 Belle & Sebastian - Write About Love
 Sun Kil Moon - Admiral Fell Promises
 The Tallest Man On Earth -The Wild Hunt
 Antony and the Johnsons - Swanlights
 Camané - Do Amor e dos Dias
 Deerhunter - Halcyon Digest
 Javier Limón - Mujeres de Agua
 Leila Pinheiro - Meu Segredo Mais Sincero
 Seu Jorge and Almaz - St
 Soundpool-Mirrors In Your Eyes
 Subterranean Homesick Blues A Tribute to Bob Dylan's Bringing It All Back Home
 Sufjan Stevens - The Age Of Adz
 Girl Talk - All Day
 Phosphorescent - Here's To Taking It Easy
 Tame Impala - Innerspeaker
 Warpaint - The Fool
 Aurea - Aurea
 Vampire Weekend - Contra

[VIDEO] Noiserv - Where is my Mind (Pixies Cover)
















A
Antena 3 estreou hoje o video de Noiserv, para o tema «Where is my Mind», dos Pixies, com base em 450 rascunhos de Filipa Mateus.



 Por cá, continua-se, ainda assim, a preferir este:

Saturday, January 08, 2011

Noiserv em destaque na Pitchfork!





















Será editado dia 17 deste mês, o 7" (vinyl-single) do tema «Mr. Carousel» do EP «A day in the day of the days». O lado B fica a cargo da americana Julianna Barwick com uma remistura do tema "Melody Pops". Este lado B pode ouvir-se em pré-escuta no site da Pitchfork!

Ainda que o destaque devesse ser Noiserv em nome próprio e não um remix, não deixa de ser algo a salientar.